sábado, 4 de dezembro de 2010

Fardos da farda no crime.

                 A criação de poderes paralelos atuando socialmente não é uma prática recente.Visando proteção e/ou controle sobre segmentos da população,a formação desses  grupos,geralmente,paramilitares faz parte da geopolítica mundial.Eles podem permanecer tanto na clandestinidade,como por exemplo as FARC(Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia),quanto acabarem se transformando em verdadeiras organizações com legalidade  política,como aconteceu com os camisas negras na Itália Facista. 
             Há alguns anos no Brasil,mais especificamente no Rio de Janeiro,a pretexto de garantir a segurança dos moradores contra os traficantes,surgiu uma espécie deste tipo de poder,denominado milícia.De início, algumas pessoas , comentaristas dos meios de comunicação, políticos e até o então prefeito da cidade do Rio de Janeiro, César Maia, apoiaram as milícias.Chegaram inclusive a chamá-las de "autodefesas comunitárias" e "um mal menor que o tráfico".Entretanto, não tardaria para que emergissem histórias nas favelas contradizendo essa imagem positiva.
             Os milicianos passaram a  tomar o poder nas comunidades com violência,intimidando e extorquindo moradores e comerciantes,cobrando taxas de proteção.Através do controle armado, esses grupos também comandam  o fornecimento de muitos serviços aos moradores.São atividades como o transporte alternativo (que serve aos bairros da periferia), a distribuição de gás, a instalação de ligações clandestinas.Além disso, como as facções do tráfico, os milicianos impõem toques de recolher e outras regras rígidas nas comunidades,sob pena de castigos violentos em caso de descumprimento   inclusive atuando como grupos de extermínio.Para tornar a situação  ainda mais assustadora, muitos milicianos são ou contam com o respaldo de políticos,militares e lideranças locais.
           Esse quadro nos faz pensar se o dramaturgo brasileiro Nelson Rodrigues estava certo ao dizer que as vezes é a falta de caráter que decide uma partida.Se realmente não se faz literatura,política e futebol com bons sentimentos ainda não estamos aptos a responder com exatidão,mas tanto o tráfico quanto o  poder paramilitar garantem a Rousseau uma infabilidade quase papal.O homem até nasce livre,porém,por todos os lados,é posto a ferros.

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