quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

Redação UFSC/2011(análoga)

        Senhores Deputados,
 

        Tomei conhecimento, através da mídia, do projeto de lei que visa fortalecer o direito de nossas crianças de serem educadas sem o uso de qualquer agressão corporal.E venho,por meio desta,demonstrar-lhes minha enorme satisfação com o mesmo.
        Sei que, certamente, vocês receberão diversas críticas em relação a esse projeto.Críticas, essas, vindas principalmente de pessoas conservadoras, oriundas de lares onde o pátrio poder ainda vigora, que se referirão a uma suposta ruptura da hierarquia e da privacidade familiar.Porém, gostaria de recorda-lhes que, muitas vezes, a privacidade é sim nossa inimiga  exemplo claro disso é a necessidade de leis com o caráter da lei Maria da Penha  e que o pensamento rousseauniano de que o homem deve, por todos os lados, ser posto a ferros, não se adequa de forma alguma ao que uma criança necessita para sua formação.
        Também sei que a lei a rigor é dispensável(redundate), todavia, acredito que a reafirmação pode ser benéfica se aliada a campanhas informativas.Deve-se, primeiramente, esclarecer que o castigo físico acaba por não cumprir o seu papel inicial, uma vez que revela que o argumento do agressor é a força e, portanto, falho.Fazer com que os pais e responsáveis compreendam que se para um adulto, a força   assim como na física newtoniana   é composta por diversas variáveis, para a criança ela não passa de uma enorme injustiça é o principal ponto exaltado por profissionais da área da educação e merece a devida atenção por parte dos senhores a fim de que realmente se estabeleça uma lei, e não a da palmada; a do diálogo.
        Despeço-me, expondo mais uma vez o meu contentamento com tal iniciativa e com esperanças de que tal lei ajudará os "meninos mais velhos" deste país ao frear a brutalidade de pais que, assumidamente, preferem permanecer na ignorância.Pois só assim, talvez, os futuros homens de nossa nação terão vidas menos secas.



                                                                      Atenciosamente, Cidadã Brasileira.

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Reticências infindas

       Aquela garota, parada na porta, na escuridão e no silêncio do quarto. Ela acende uma luz no corredor, luz difusa, pensamentos esparsos. Observa um tecido e então se aproxima, precisa ver de perto. Tecido róseo, alinhavado, pespontado horizontalmente, costurado verticalmente, pontos perdidos em uma desordem  ilógica que faz dele maltratado, esticado, dobrado, lesado, visivelmente molestado.
       Ouve-se uma voz, quebra-se o silêncio. Palavras quentes que soam gélidas, assustadoras. Palavras que fazem a garota viver e reviver seus piores dias. Então suas mãos trêmulas e frias de suor sentem a necessidade do toque. Definitivamente ela precisa tocar o tecido. Ela o toca, ele está quente e vivoE isso basta,ilude-se ela.

sábado, 4 de dezembro de 2010

Fardos da farda no crime.

                 A criação de poderes paralelos atuando socialmente não é uma prática recente.Visando proteção e/ou controle sobre segmentos da população,a formação desses  grupos,geralmente,paramilitares faz parte da geopolítica mundial.Eles podem permanecer tanto na clandestinidade,como por exemplo as FARC(Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia),quanto acabarem se transformando em verdadeiras organizações com legalidade  política,como aconteceu com os camisas negras na Itália Facista. 
             Há alguns anos no Brasil,mais especificamente no Rio de Janeiro,a pretexto de garantir a segurança dos moradores contra os traficantes,surgiu uma espécie deste tipo de poder,denominado milícia.De início, algumas pessoas , comentaristas dos meios de comunicação, políticos e até o então prefeito da cidade do Rio de Janeiro, César Maia, apoiaram as milícias.Chegaram inclusive a chamá-las de "autodefesas comunitárias" e "um mal menor que o tráfico".Entretanto, não tardaria para que emergissem histórias nas favelas contradizendo essa imagem positiva.
             Os milicianos passaram a  tomar o poder nas comunidades com violência,intimidando e extorquindo moradores e comerciantes,cobrando taxas de proteção.Através do controle armado, esses grupos também comandam  o fornecimento de muitos serviços aos moradores.São atividades como o transporte alternativo (que serve aos bairros da periferia), a distribuição de gás, a instalação de ligações clandestinas.Além disso, como as facções do tráfico, os milicianos impõem toques de recolher e outras regras rígidas nas comunidades,sob pena de castigos violentos em caso de descumprimento   inclusive atuando como grupos de extermínio.Para tornar a situação  ainda mais assustadora, muitos milicianos são ou contam com o respaldo de políticos,militares e lideranças locais.
           Esse quadro nos faz pensar se o dramaturgo brasileiro Nelson Rodrigues estava certo ao dizer que as vezes é a falta de caráter que decide uma partida.Se realmente não se faz literatura,política e futebol com bons sentimentos ainda não estamos aptos a responder com exatidão,mas tanto o tráfico quanto o  poder paramilitar garantem a Rousseau uma infabilidade quase papal.O homem até nasce livre,porém,por todos os lados,é posto a ferros.

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

O preço da (in)tolerância.

 
             A busca ideológica por igualdade ganhou forma no século das luzes,porém se naquela época ela se referia apenas a crença,etnia e classe social,hoje,a identidade de gênero está inserida nessa luta.Esse ideal de respeito à diversidade sexual encontra seu maior obstáculo nos milenares dogmas religiosos que instituiram uma sociedade patriarcal,na qual o diferente praticamente nunca é admitido.Nesse contexto de intolerância,a homofobia se tornou socialmente consentida por muitos.Legando milhares de pessoas ao que chamam "armário".
            Essa necessidade de se omitir pode ser vista como bobagem por muitos,mas não é.O Brasil,assustadoramente,registrou cerca de 200 assassinatos de homossexuais,caracterizado como crime de ódio,no ano de 2009.A homofobia que mata seres humanos pelo simples fato de amarem diferente não é devidamente criminalizada no nosso código penal,fazendo com que,muitas vezes,o agressor fique impune.A lei PL 122 que mudaria isso,tornando a homofobia um crime equivalente ao racismo,tramita no senado desde 2006 e ainda não foi aprovada,o que contradiz de forma impactante a laicidade do nosso País.
            A população LGBT(Lésbicas,Gays,Bisexuais,Transexuais) brasileira se depara assim com um paradoxo.Possuem a maior parada do orgulho gay do mundo em uma avenida(a Paulista)que é palco cotidiano do preconceito.Em síntese,um dia de "liberdade" em um país que proibe a adoção,o casamento e consequentemente dezenas de outros direitos á sua população homossexual.Viver rodeado de intolerância faz com que os índices de suicidio sejam mais elevados entre jovens gays.Que além de terem de lidar com seu próprio turbilhão de pensamentos são obrigados a se adequar a regras que lhe são impostas.
          Certamente esses pré-conceitos que nos são inseridos  culturalmente são difíceis de serem modificados na vida adulta,o escritor italiano,Primo Levi já havia afirmado:"Erradicar um preconceito é tão doloroso quanto extrair um nervo",porém devemos ser conscientes o suficiente para entender e aceitar a heterogeneidade da nossa sociedade.A sexualidade não deve ser considerada,de forma alguma,agente definidor de caráter.Essas pessoas merecem poder viver suas vidas sem medo.Nas palavras do ativista gay Harvey Milk: "Temos de dar esperança a eles.Sem esperança não vale a pena viver".

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Das coisas que ficam...

           De alguma maneira foste importante na minha vida.Marcaste minha infância.Vislumbrei sua riqueza e generosidade para com as crianças.Nos dava a atenção que os outros adultos nunca nos creditavam.Engraçado.Faz tanto tempo que deixaste de ser áquele no qual tomávamos um bom café quando passávamos por Tubarão.Se transformou naquele que visitávamos quase que por obrigação.Palavras poucas e embaraçadas.Saída melancólica.Momentos frios.
          Ontem teu corpo morreu,sim teu corpo.Pois,a julgar pelo olhar triste e perdido no vazio que seus olhos tinham das ultimas vezes em que lhe vi,sua essência já havia morrido há muito.Talvez quando,mesmo já tendo tudo,a ambição lhe aflorou e não sabemos o por quê fizeste coisas erradas.Talvez....
          Só acredito que não há dinheiro no mundo que pague aqueles dias.Família,Amizade,Amor...LIBERDADE.
          Eu sinto muito.
         

À Gia Marie Carangi.

        Hoje(01/12) é dia Mundial de combate á Aids e só o que vêm a minha mente é a história dessa menina-mulher,Gia.
         Gia,extrovertida,lésbica,autêntica,,ousada,forte,dona de uma beleza que conquistou o mundo da moda nas décadas de 70/80. Morreu vítima de Aids,contraída injetando heroína,aos 26anos em 1986.Ela queria que sua história fosse contada para que outros jovens aprendessem com seus erros.Mas nós,jovens do século XXI,ainda cometemos os erros de nossos ídolos do passado.Gia,Cazuza,Renato...
         A Aids continua infectando milhares todos os dias.O uso do preservativo é deixado de lado por que consideramos algumas pessoas "limpinhas".Essa doença   que,equivocadamente,na década de 80 era chamada de "câncer gay"   MATA.O mais próximo da cura que é o AZT não passa de uma maneira de amenizar sintomas e prolongar uma vida fadada a preconceitos e iminência da morte.
         Sobre o "câncer gay" é preciso constar que muita gente ainda acredita que Aids é doença de homossexual.Porém,pior ainda do que pensar assim é pensar que Aids se pega com um toque.Existe toda uma discriminação para com o aidético ainda hoje,tinha um deputado querendo listar os aidéticos do Brasil.Santa ignorância.Super aprovo a medida para pedófilos e maníacos sexuais,esses sim deveriam ser expostos a todos que por acaso se aproximem deles.
          E apesar de saber que o seleto grupo de amigos que  lêem essas postagens sabe muito bem isso aí vai a lista das formas de contágio da Aids para quem,porventura,ler isso aqui.Pois,enquanto a cura não passa de uma utopia,prevenção continua sendo o melhor remédio.
   




  • Relações sexuais sem o uso da camisinha;



  • Agulhas seringas ou instrumentos perfurantes contaminados com o vírus HIV;





  • Transmissão materna: durante a gravidez, parto ou aleitamento materno








  •        Fico ainda com meus pensamentos sobre;a Aids infectando países africanos em percentual que abrange quase a totalidade de suas populações.Crianças nascendo aidéticas devido a total falta de responsabilidade daqueles que a natureza chama de seus pais.Da igreja proibindo o uso da camisinha(apesar das recentes ressalvas).Da quantidade absurda de mulheres casadas infectadas por seus maridos.Mas,enfim....coisas demais para uma postagem de blog.
          

            Só me pergunto;Quantas "Gias" mais precisamos ver morrer para nos conscientizar?







             
        

    Por Clarice Lispector....

    "Não sei se quero descansar,por estar realmente cansada ou se quero descansar para desistir"


     mas então....


    "Porque há o direito ao grito.
    então eu grito."


    E no fim,sei que consigo,afinal;


    "Eu sou mais forte do que eu".